Por Diego Infanti – Antes de tudo, imagine você aos 16 anos, filho de professora e engenheiro químico do ramo alimentício, com vontade de abrir seu negócio. Então, de repente, tem uma ideia de como empreender com pouco dinheiro: adaptar receitas e vender pães de queijo. Põe em prática e o negócio até começa a dar certo, mas você decide seguir por outro caminho e investir em uma carreira em TI. Você se forma, consegue um bom emprego, chega à gerência. Entretanto você não esquece a paixão pela gastronomia e sua vontade de adaptar receitas.

Aí um dia, lendo um artigo de jornal você tem um insight que te faz refletir: “É preciso explodir as pontes”. Neste momento você decide mudar novamente de carreira e pensa em como empreender com pouco dinheiro, combinando sua paixão com o lado empreendedor.

A receita é a seguinte: Uma pitada de criatividade, uma boa dose de senso de oportunidade, muito estudo, muita persistência e muito trabalho.

Aprenda como empreender com pouco na entrevista com Marcelo Horta dinheiro e ter sucesso
Foto: Vinicius Bilry

Essa receita é a história do chef Marcelo Horta que aliou o gosto por gastronomia e panificação com o senso de oportunidade para se tornar referência em panificação sem glúten no Brasil. Ele encontrou na fermentação natural a oportunidade de ser exemplo em como empreender com pouco dinheiro.

Da cozinha de casa à Cozinha Crunch

Com a proposta de trazer um novo olhar para panificação de fermentação natural e pães sem glúten, Marcelo é o idealizador da Cozinha Crunch.

Inicialmente a ideia surgiu de forma inusitada: Um amigo de Marcelo é celíaco, isto é, pessoa intolerante ao glúten. Sabendo do gosto do Chef por experimentar novas receitas propôs um desafio para Horta: que ele criasse um pão sem glúten, contudo, este pão não poderia ser no formato de pães de forma.  

Desde o início o chef encarou a missão. Depois de muitas experimentações, muita criatividade e conhecimento, conseguiu produzir o pão do jeito que seu amigo havia pedido.

Mal sabia o amigo de Marcelo que estava dando a ideia de como empreender com pouco dinheiro e ter sucesso. Em suma, nascia ali a Cozinha Crunch.

Panorama do setor de panificação no Brasil

De acordo com o estudo “Indicadores da panificação e confeitaria brasileira”, divulgado pela ABIP, (Associação Brasileira de Panificação e Confeitaria), em 2020, o setor faturou R$ 91,94 bilhões de reais.  

Segundo o estudo, o produto de fabricação própria foi responsável por quase 62% do faturamento das panificadoras e confeitarias no Brasil. Embora em 2020 tenha havido queda de 15% na circulação de pessoas nestes estabelecimentos, por conta das medidas restritivas de circulação adotada em muitas cidades no Brasil, o ticket médio gasto pelos clientes aumentou em mais de 14%.

O estudo aponta que esse aumento ocorreu por conta de compras de produtos de revenda. No qual houve um incremento de mais de 80% na venda desses produtos, se comparados com o cenário de 2019.

As tendências no setor de Panificação e confeitaria no Brasil

O mercado de panificação no Brasil
Foto: Vinicius Bilry

De acordo com projeções realizadas pela ABIP está em andamento uma revolução na indústria de panificação no Brasil. De modo que o consumidor está mais exigente ao comprar os produtos feitos nas padarias. Como resultado dessa transformação haverá maior demanda por um novo mix de produtos de fabricação própria, com informações nutricionais mais detalhadas e maior relevância para novos produtos mais saudáveis.

Além disso, os produtos artesanais com utilização de fermentação longa ganharão mais espaço à mesa do brasileiro. Portanto há espaço para o crescimento do pequeno empreendedor, que produz em escala reduzida, mas com grande qualidade.

Da mesma forma há uma procura cada vez mais crescente por pães e produtos que utilizam o congelamento como uma técnica de conservação sem perdas de sabor ou nutricionais.

Nesta entrevista para Konteúdos o chef Marcelo Horta conta sua trajetória. A batalha pela adoção da técnica da fermentação natural. As técnicas para criar o pão sem glúten e as vantagens para quem quer adotar a técnica de congelamento e atingir outros públicos.

Além disso ele aborda a vocação de ensinar a arte de fazer pães por meio dos cursos online e dá dicas para pessoas, que assim como ele desejam começar a empreender com pouco dinheiro.  Por fim, ele projeta um panorama para a indústria de panificação no Brasil.

Acompanhe!

Konteudos: Como iniciou seu primeiro negócio?

Marcelo Horta: Comecei meu primeiro negócio aos 16 anos na região dos Lagos no Rio de Janeiro. Montei uma empresa que produzia pão de queijo. Na verdade, comecei a fazer pão de queijo e gostar do resultado. Aos poucos fui modificando a receita. Como resultado, com 17 anos estava contratando gente para me ajudar na produção. E vendia em diversos estabelecimentos, de hotel à banca de jornal.

Konteudos: Você migrou de carreira, formou-se em TI. Chegou ao cargo de gerente de TI em uma grande empresa. Como foi a decisão de deixar a carreira corporativa e apostar no seu negócio?

Marcelo Horta: Acredito que tenha sido a decisão mais difícil da minha vida, pois posterguei essa decisão por muito tempo. A vida toda eu me sentia desencaixado do mundo corporativo. Sou apaixonado por gastronomia e ensinar. Entretanto o mundo corporativo te dá uma falsa segurança. Você pensa nos benefícios, na sua carreira. E tomar a decisão de parar de trabalhar para os outros e começar a trabalhar para você demanda uma certeza muito grande. Entretanto houve um dia em que eu li um artigo do Erico Rocha que ele falava sobre “explodir pontes”. E me deu a certeza de que era isso que eu tinha que fazer. “explodir esta ponte”. Era algo que me impedia de seguir.

De início foi muito complicado encarar, mas as coisas começaram a dar certo muito rápido. Coloquei metas e elas foram alcançadas rapidamente. A sensação que fica é de me perguntar: Por que não comecei antes?

Konteudos: Como foi o planejamento para fazer essa transição de executivo para empreendedor?

Marcelo Horta: Fiz um plano de negócio para viver de panificação. Anteriormente pensei em estruturar algo físico e não no digital, como por exemplo. existe hoje com os cursos.  Em um primeiro momento meu plano era ter uma panificadora “física”. As coisas aconteceram rápido e atualmente tenho duas panificadoras e os cursos no digital.

Konteudos: A gente sabe que seu pontapé inicial de verdade foi com a fermentação natural. Quando começou a se interessar por ela como negócio e por quê?

O processo de fermentação natural no Brasil
Foto: Vinicius Bilry

Marcelo Horta: Em 2005. Meu pai é engenheiro químico, ligado ao ramo alimentício e minha mãe professora. A partir de 2005 comecei a estudar a panificação mais profundamente. Entretanto levei 10 anos para decidir fazer algo relacionado com panificação.

Em 2015 fiz um curso profissionalizante no Senac e naquela época se falava muito que a fermentação natural é algo “romântico”, não era para ganhar dinheiro. E naquela época, realmente, a proposta dos cursos eram profissionalizantes e não existia um público interessado em fermentação natural, nem mesmo em grandes capitais.

Mesmo assim, conversando com um professor sobre a fermentação natural disse que era isso que me encantava. Eu queria sair do lugar comum!

Eu não queria ser “só” padeiro, queria fazer algo diferente! Então, aproveitei a bagagem da fermentação natural. Peguei aquele material do Senac e comecei adaptar as receitas para fermentação natural.

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A partir daquele momento as coisas começaram a mudar. Comecei a fazer e vender os pães de fermentação natural, feitos em casa. Desta forma cativei um público e surgiu esta demanda pedindo para que eu ensinasse a fazer os pães

Fazendo pães em casa

Os clientes falavam: “Se você está fazendo em casa, eu quero fazer em casa “. Todo mundo sabia que eu produzia os pães em casa.

Tenho um cliente, que atualmente é meu amigo, que é celíaco. Ele não pode consumir glúten. Ele virou para mim e me propôs o seguinte: “Marcelo, eu quero que você faça pão para mim”. Pois ele só comprava pão para os amigos, para a família e ele mesmo não comia. Então, um dia ele me fez um desafio: “Eu quero um pão sem glúten, de fermentação natural e não pode ser pão de forma”.

Porque quem não pode consumir glúten acaba ficando restrito a consumir pão de forma. A partir de então, missão dada, missão cumprida. Neste momento assumi este desafio e comecei a testar em casa, como fazer o pão sem glúten. E com duas semanas de muito estudo consegui fazer um pão fantástico, que deu muito certo. Levei o pão para ele experimentar e ele ficou muito surpreso e adorou o pão.

Konteudos: E como de chef diferenciado passou a professor? É uma segunda vocação ou estratégia para crescer o negócio?

Os indicadores da panificação no Brasil
Foto: Vinicius Bilry

Marcelo Horta: Depois de um tempo deste episódio que me marcou (o pedido de fazer um pão sem gluten, com fermentação natural sem ser pão de forma), apareceu uma oportunidade e eu montei a Cozinha Crunch, que é uma panificadora idealizada para ser inclusiva neste quesito de pães sem glúten.

Ela foi ganhando espaço no mercado. Atualmente é uma das maiores panificadoras sem glúten de fermentação natural do Brasil. Mas, pra mim, ainda faltava alguma coisa.  

Então, comecei ensinar a técnica de fazer pão sem glúten. De maneira que aproveitei o momento e juntei o útil ao agradável. Como negócio a empresa se consolidou, mas descobri que a minha vocação é ensinar.

Acredito que os professores tenham dois fatores críticos de sucesso: a didática e o conhecimento. E quando eu percebi que essas eram as duas virtudes que eu precisava e que as tinha, descobri a minha missão. Atualmente, a panificação é um gatilho que eu tenho para ensinar. Eu desejo que as pessoas tenham consciência da alimentação.

Konteudos: E como foi a pandemia para o seus negócios?

Marcelo Horta: A pandemia para o empreendimento físico foi um momento de reaprendizado. Neste sentido tivemos que readequar processos. Entender que clientes antigos deixavam de comprar conosco, pois tinham receio de que durante a logística o produto sofresse algum tipo de contaminação.  Foi um momento de olhar para o cliente e entender o que ele precisava. A partir disso mudamos não só a produção, mas também a logística com a finalidade de darmos essa segurança para o cliente.

Por outro lado, no ambiente digital foi um momento de aproximar-se das pessoas. Por exemplo, enxergar a cozinha como uma forma de desconexão da dura realidade. Um jeito para que as pessoas buscassem um momento de relaxamento. Uma terapia culinária.  Da mesma forma aproveitei este espaço como um momento de conscientização para a alimentação saudável. Portanto olhar para a alimentação como causa e efeito, como um momento de reflexão e mudança.

Konteudos: Mas você conseguiu enxergar alguma oportunidade nesse momento de crise?

Em 2020 quando entrou a pandemia, foi um divisor de águas para os meus negócios. Estava em um momento no qual eu não conseguia mais dar vazão aos alunos. De tantas pessoas que estavam procurando o curso.

Com o cenário de pandemia, pensei: Quem sabe agora consigo modificar o formato. Como resultado as aulas presenciais deixaram de existir e comecei a gravar os cursos. Como maneira de alcançar as pessoas que não podiam fazer os cursos presenciais. E deu super certo!

Atualmente temos alunos no mundo todo: Japão, Havaí, Austrália. E mudou muito, pois deixou de ser só fermentação natural.

Hoje, por exemplo, tenho um curso que ensina fermentação natural de trigo. Entretanto o carro-chefe dos cursos é o pão sem glúten. Na verdade, vegano: sem glúten, sem ovos, sem leite, usando fermentação natural. Esse produto é muito interessante para as pessoas que já possuem um nível de consciência maior sobre glúten, leite e consumo de proteína animal. Foi o produto que deu muito certo.

Konteudos: Como foi para você empreender com pouco dinheiro?

Marcelo Horta: Uma coisa que tenho em mente é que as grandes oportunidades só aparecem quando você está aberto a perceber as oportunidades. Por exemplo, alguns alunos falam que não encontram determinados produtos dependendo da região onde estão. E eu digo para eles: Essa escassez, não é uma forma de como empreender com pouco dinheiro? Atualmente o que as pessoas veem como dificuldade eu vejo como oportunidade. Às vezes a dificuldade que você encontrou por procurar um produto e não achar é a mesma dificuldade de outras pessoas. E é assim que nascem as oportunidades. Explore as possibilidades que esta dificuldade te proporciona.

Konteudos: Com os cursos é possível saber como empreender com pouco dinheiro?

O empreendedorismo na panificação com cursos do chef Marcelo Horta

Marcelo Horta: Os cursos começam do zero. Eu formo toda a base de panificação. Os mitos, as verdades, onde a pessoa deve focar para chegar aonde deseja. Trabalho muito a parte do conhecimento. Aluno dos meus cursos não é repetidor de receita. É a panificação através do conhecimento.

Atualmente não existe um material pronto de qualidade para alguém que queira fazer panificação e começar em casa. Existem bons materiais de estudo, mas é focado em produção profissional e não caseiro.

Desde então este é o meu intuito. Pego todo o conhecimento da panificação em larga escala e adapto para o método caseiro.

O curso possui módulos específicos para quem deseja começar e saber como empreender com pouco dinheiro. Como eu comecei: ensinando e fazendo no fogão de casa. De maneira que o curso conta com uma grande bagagem para quem deseja comercializar os produtos.

Além disso aproveito o curso para desafiar as pessoas a pensarem fora da caixa: Que tal empreender na sua casa? Chegue às suas conclusões em relação ao resultado. E a história geralmente se repete: A pessoa faz os pães, dá para um parente, um vizinho e essa pessoa pede novamente, e isso vira uma oportunidade de negócio.

Temos alunos no mundo todo que conseguem viver da comercialização dos pães. E isso ocorre lá no início sem investimento. Apenas o investimento do curso.

Konteudos: Quais desafios o pequeno empreendedor vai enfrentar ao adentrar no ramo de panificação?

Marcelo Horta: O primeiro desafio é realmente sobre o empreender. Um tipo de pergunta que sempre recebo nos meus cursos é: Marcelo, fiz o pão, por quanto eu vendo? No curso eu abordo a precificação. Como formar o preço do produto. Assim como entender o mercado e a concorrência. A maior barreira é a cultural. O Sebrae ensina isso muito bem, mas as pessoas não têm muita noção do que é necessário para empreender de uma forma correta.

Além disso os desafios deste mercado passam também pela falta de padronização dos insumos no Brasil.  A panificação exige uma padronização. Por exemplo, determinados tipos de farinha para certos pães. Enfim, a questão é que temos certa dificuldade em manter essa qualidade dentro da padronização.

Outra questão de grande relevância é no que diz respeito à contaminação cruzada. Por exemplo, a questão da regulamentação de um selo de seguro para celíaco. Atestando que não há contaminação cruzada. Muitos fornecedores que gostariam de trabalhar conosco ainda não conseguem essa comprovação.

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Konteudos: Fala-se muito em fermentação longa para o futuro. Esse é o tipo de fermentação que você utiliza e ensina? 

Curso de panificação ensina como empreender com pouco dinheiro

Marcelo Horta: Depende. Se estivermos falando dos pães de trigo sim, são de fermentação longa. A fermentação longa ela é incrível para quem está consumindo glúten. Pois ela praticamente anula o efeito nocivo do glúten.

Assim como para os pães sem glúten, ela agrega muito mais sabor do que necessariamente valor nutricional como é o caso do trigo.

Fazemos um meio termo. No caso do pão sem glúten fazemos uma fermentação mais extensa do que a normal. Entretanto esta fermentação não precisa ser tão longa quanto a do trigo.

Konteudos: O pequeno empreendedor consegue se encaixar neste mercado com um produto com viés mais saudável?

Marcelo Horta: Sim. Sempre haverá espaço e demanda para um produto de qualidade. Se há um pão de longa fermentação, com ingredientes de qualidade sem dúvida haverá clientes. Pode ser que falte escala para concorrer com o pão de forma do supermercado, por exemplo, mas você sempre terá uma clientela cativa, pois entende a qualidade do seu produto.

Konteudos: Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), virá uma revolução do setor de panificação e confeitaria, que é a criação de centenas de fábricas de pães e confeitaria com foco em produção e produtos congelados. A sua forma de empreender e os produtos que produz fazem parte dessa revolução? De que forma?

Marcelo Horta: Sim. Os pães da Cozinha Crunch são todos comercializados e podem ser congelados. O congelamento é uma alternativa saudável para a conservação do produto. O sal é o conservante mais antigo e mais barato. Entretanto os produtos industrializados contêm uma quantidade grande quantidade de sal, de diferentes maneiras. Portanto, quando se congela o produto é possível aumentar este tempo de validade. De maneira que se fizermos um pão hoje e o cliente receber na casa dele no dia seguinte, este pão estará com as mesmas características do dia em que foi produzido e sem uso de conservantes.

A princípio, o congelamento é uma forma inteligente e na minha percepção é o futuro na maneira de manter produtos saudáveis sem a adição de conservantes.

Além disso o congelamento te possibilita uma logística adequada. Afinal, por meio dos produtos congelados é possível atingir um público maior.

Konteudos: A técnica de congelamento dos pães também pode ser aplicada pelos pequenos empreendedores?

Marcelo Horta: Sim, eu ensino nos meus cursos. Essa é a técnica de regeneração do produto. É um modelo já adotado há algum tempo na panificação, embora não seja muito comum. Existe um processo que ensina como congelar e depois como regenerar o produto.

Konteudos: A técnica de congelamento encarece o produto?

Marcelo Horta: Utilizar a técnica de congelamento encarece um pouco o preço final do produto por conta da logística. Afinal, o frete do produto congelado é um pouco mais caro. Entretanto é um custo que vale à pena. De maneira que o mercado deixa claro que mesmo o produto sendo um pouco mais caro há uma aceitação muito boa. 

Konteudos: Como você avalia a importância das mídias sociais para o seu mercado e o seu empreendimento?

Marcelo Horta: Acredito ser muito importante. Por exemplo, comecei a montar turmas dos meus cursos sem gastar em propaganda. Feito de maneira orgânica. Atualmente eu vendo cursos por meio de propaganda paga, pois o negócio cresceu muito. Entretanto quando comecei utilizei da minha presença no mundo digital para montar turmas e até na venda dos pães.

Além disso encaro esse trabalho inicial como sementes. Ressalto que é preciso ter sempre constância, comprometimento, foco. Me considero muito disciplinado de modo que acredito que ser disciplinado muda o jogo.

De início quando alguém me diz que vai começar a comercializar os pães eu dou dicas de como explorar o perfil em rede social. Por exemplo, não misturar fotos pessoais com conteúdo profissional.

Konteudos: Como você enxerga o futuro do mercado de panificação no Brasil?

Marcelo Horta: A princípio acredito que o mercado vai passar por uma prestação de contas. Atualmente o público está muito mais preocupado com o que está ingerindo. Ainda mais com as consequências dessa alimentação para o futuro. Em algum momento as panificadoras terão que ter mais transparência no método de fabricação do produto.

Além disso, a médio prazo teremos uma elevação no nível de informação no modo de preparo e quantidades nutricionais dos produtos. Com isso as pessoas criarão uma cultura e serão mais exigentes com a própria alimentação.

A partir deste movimento as padarias que prezam pela saúde, com a adoção das técnicas de longa fermentação e de fermentação natural vão se destacar. Portanto padarias que queiram sobressair e sobreviver neste mercado terão de ter sua linha de produtos saudáveis e consequentemente ganharão marketing share frente aos produtos tradicionais comercializados.

Receita básica para o sucesso

Dicas de como empreender com pouco dinheiro
Foto: Vinicius Bilry

Antes de mais nada Marcelo salienta a importância de fazer o que gosta para ter sucesso. Além disso, destaca que é preciso estudo, planejamento, dedicação e muito trabalho para alcançar a receita básica para o sucesso. Nesse sentido ele dá dicas para quem, assim como ele, deseja empreender com pouco dinheiro e ter sucesso:

1. Estude o seu negócio

De inicio Marcelo ressalta a importância de estudar quando se deseja empreender. Estude o seu propósito. O porquê de seguir aquele caminho. Estude a concorrência, o mercado.

2. Esteja sempre bem informado

De antemão, procure sempre estar atualizado sobre as novidades do seu mercado de atuação. Estude as tendências. Além disso busque inovar e tenha sempre foco no atendimento e no cliente, ele te trará a demanda necessária para crescer.

3. Tenha sempre um diferencial

Antes de mais nada, se você deseja saber como empreender com pouco dinheiro uma dica é: Tenha sempre um diferencial. O que você está entregando satisfaz o seu cliente? Sempre haverá demanda para um bom produto ou bom serviço.

4. Seja você mesmo

Em primeiro lugar, o seu negócio precisa ter sua marca, seu toque pessoal. As pessoas atualmente não compram só um produto. Elas compram uma missão, um objetivo.  Encarar seu público não como números e sim como pessoas.

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